Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
27.1.03 :::
Bom, calma gente, isso não saiu do ar, mas é que ele costuma apagar os posts da página principal depois de 7 dias, e ficaremos sem atualizar por mais tempo do que isso, por isso vai ficar apenas essa mensagem de aviso. Voltamos na segunda metade de fevereiro, provavelmente bem na metade, quiçá. Enquanto isso não deixem de perder seu tempo relendo ou finalmente lendo coisas antigas e passadas. Mas pedimos a todas as gatinhas psicodélicas, russas e afins que apareçam nos variados destinos de nossa viagem, ficaríamos eternamente gratos.
Mas eu estou ligeiramente bêbado, então vou ficar escrevendo um pouco por aqui, sobre coisas mundanas, ignorando que esse é um post de aviso.
Em primeiro lugar, não comprem Jack Sticks, é realmente ruim, péssimo, horrível. E a consistência atrapalha bastante.
Em segundo lugar, o que fazer quando se houve de alguém que certamente não precisa de mais nada falar que vai malhar pra ficar gostosa e só eu vou saber o que está acontecendo? Bom, deixa pra lá. Coisa do álcool.
Ó do Borogodó ao contrário é quase a mesma coisa: ódogoroB od Ó, ou Ó do Gorobodó
Em último lugar, é duro quando eu tenho que concordar com o busa na questão de como eu sou burro...
Finalizando, lembrem-se que é necessário um lugar apropriado para se morar, sempre, não importando o que possa significar isso.
Incrível. Os confrontos com o passado procederam-se de maneira adequada. Confesso que enrubecimento e aceleração cardíaca estiveram presentes, mas sob controle e não passaram do apertado abraço de ano novo, ai... Mais importante é seguir e ir de novo amanhã para proseguir com outros planos, mais psicológicos, mais transpessoais e com outros sujeitos, que com certeza não são, também, nem um pouco experimentalmente ingênuos, o que não é mais do que lógico, graças a deus.
Além disso quero publicar aqui um documento histórico. Uma evidência clara de que a episcopatia não surge do nada, mas se desenvolve com o tempo, e uma bizarrice bem bizarra, achei no meio das velharias de casa. Na verdade trata-se de um diálogo entre 1 e 2 que eu escrevi na minha agenda escolar de 1996, quando eu tinha 14 anos e estava na oitava série:
1- Tudo é relativo, ate a importância.
2- Nada tem importância.
1- Se nada tem importância, qual é a importância da importância?
2- A importância da importância é a importância que tem a importância.
1- Como, se nada tem importância?
2- A importância tem importância.
1- Mas se só a importância tem importância, pra que serve a importância?
2- Serve para dar importância à importância.
1- Se a importância tem importância, como nada tem importância?
2- Qual a importância da importância se nada tem importância?
1- Nenhuma.
2- Então, se não tem importância nenhuma, para que serve?
1- Pra nada.
2- Então, pra nada. Nada tem importância.
1- Mas se a importância da importância não tem importância nenhuma, qual é a importância que tem a importância?
2- Nenhuma.
1- Então para que serve a importância se ela só da importância a algo que não tem importância nenhuma?
2- Como você mesmo afirmou, tudo é relativo, até a importância.
1- Explique melhor.
2- Nada tem importância, mas na relatividade humana, o desprezível não tem importância, mas o oposto é importante.
1- E se for considerada a alteração cultural das sociedades sobre o que é importante e o que não é?
2- Então teremos uma nova alteração de importância, onde o desprezível é importante e vice-versa.
1- O que isso altera na relatividade?
2- Bom, se para alguns algo é importante e para outros não, tudo fica mais relativo e nata tem importância, pois um acha importante, outros não.
1- Chega, tchau.
2- Bye.
"Bom, vizinhos... Vamu fazer lebra vizeenhaaça! --> Vamos lembrar da história --> saco cheio --> dos vizeenhos!!! ---> Moral: Vizinhos - quem? E seria! Mais sem medo! E contrações falta faz o saco!! Ligar pra Lúcia! Russas"
"Samadhi --> se penso na questão!"
"Sexo é só sexo que poderei deixar de dizer? Ous r souls again Mistico falling..."
"Algo que faz você ser bom de mais, Algo que traz amor. Leite Yabebult (?). Olho de cada um."
"Nada de russas por enquanto"
"Locadora alugam locos?"
SATO p.s. Em breve pretendo escanear alguns dos desenhos que eu fiz nesse caderninho.
Eis que chega em minhas mãos o caderninho amarelo do Busílis. Na capa dele está escrito "Trajetos do Sofrimento: Desenraizamento e Exclusão". Hummm... Pra quem não sabe, esse é um caderninho, que foi brinde na palestra com o nome acima, acho, e que foi utilizado para o registro de nossas pirações enquanto cheirávamos cola na Riviera. Agora é a minha vez de transcrever as coisas que eu escrevi. Não me responsabilizo por nada, falem com meu inconsciente. Aí vai:
"É o pai do Chico uma melancia?? Caso Chico fosse búl garo chamaria-se Melanciov? Feijão??"
"Studio album 'Ummagumma' mutters the crazy man. Wouldn´t had you brought the incensenr?"
"Talvez fôssemos assim sempre, não fora não estarmonos assim. Quem mais me entenderia senão bygone afternoon? Entendi tudo, see it. Tudo que for de madeira nessta casa será luz negra. Estaríamos comendo o caroço enquanto comem o mundo."
"Babejará pra sempre o Lóki!! Tenho medo? Devo buscar coisas? E a máquina? Feijão? É louco. Devo escrever tudo o que vejo? Insights Adrenocromo???"
"Terapeuta fala sobre essa prática. Weeheuu? E tenho consciência disso tudo. Lamberás tudo o que sangra em nosso corações! Viagem de cola pode ser muito analítica - threesome party mental brains fuckstore house built in"
"Como interpretar o interpretável? Pq rir antes do que já ri? Pink Floyd! Birdo!"
"Lâmpada na TV. "Orgasmo" Guilherme"
"Betty solta na cidade dos orgasmos morra sem devaneios! E lembrarei de tudo isso quando morrer? Estará tão simples? Como saberei? As pessoas acreditam numa profunda verdade em relação a isto aqui eu me satisfaço em profunda satisfação abstinência. Poderei ler isso amanhã, rir de minhas loucuras so."
"Fuckin´ what I am. A hora do sexo oral? Agora?? Guilherme não sabe onde está? Eu aceito e fluo. Messages from divine centers!!! --> Pq não cheiram cola no filme --> Maldito tráfico de cola --> Falem mais - Preciso. 'A cola. Acalo do cola.' Loco. Jefferson Airplane"
"Gynethyj Palttowjjj. Bebê? Tira teima? Os homossexuais são + habilidosos no sexo oral, e como não? Dizem os cães. Waguinha cai de boca num papo sobre sexo oral. E os morcegos!!"
"Guilherme, vc não ouviu muuuitas coisas.... A gente precisa de um ópio?... 'No percurso da cabra (?) que Pichón Riviere de São Lourenço. Decolem. Treparemos com russas amanhã."
25.1.03 :::
Fiz uma escolha pra mim. Nada de cola ou benflogin. É algo pessoal e amoral, não reflete opiniões ou julgamentos. Refere-se apenas a um momento, a uma estranha tomada de consciência de minha existência física, é isso...
Sonhos, sonhos estranhos, o que meus sonhos querem dizer? Bom, apesar de ter encontrado todos os resquícios mnemônicos do que me aconteceu ontem nos sonhos, a idéia que me ocorreu hoje foi a da interpretação dos sonhos segundo a Teoria Crítica. Na verdade não é bem uma interpretação, mas é uma figuração estrutural dos sonhos (sic), não sei que nome dar a isso. É muito simples. Nossos sonhos são sempre a manifestação do engodo e nossa tentativa de "libertação" do engodo ou a "vitória" do engodo. Esse processo pode acontecer de diversas maneiras, através de conflitos, mortes, vôos, e todos os tipos de coisas que podem acontecer em sonhos, ou seja, praticamente tudo. Como os sonhos só passam a existir conscientemente quando acordamos, é nessa hora que se decide pela libertação ou pela vitória do engodo. Depende de como acordamos, a sensação que sentimos e o significado que encontramos para aquilo que sentimos e entendemos do sonho. Os sonhos devem existir porque não podemos ter uma comunicação aberta, direta e contínua com o mundo e com nós mesmos ao mesmo tempo, em boa parte graças à castração permanente, então depois de ficarmos o dia inteiro padecendo no engodo, se nos for permitido dormir de verdade, coisa que não acontece com todo mundo, o inconsciente, que é justamente a parte de nossa psique que não aguenta, não suporta e não consegue se sustentar conscientemente num mundo de engodo, vem para nos dizer tudo o que estamos e estão nos fazendo de errado. Acordar de verdade, ou seja, espontaneamente, sempre nos transporta para um estado que poderíamos considerar de certa entorpecência, um estado de vaga reentrada na realidade. Esse tempo pode e deve servir, normalmente, para que haja um contato "consciente" entre o inconsciente e a realidade, é o momento em que devemos tentar compreender (já que não compreendemos o inconsciente, ele é que nos compreende), nossas manifestações oníricas, i.e., inconscientes, i.e., reprimidas pela castração engodo... Acontece que, em primeiro lugar, hoje em dia, mesmo tendo esse tempo ao acordar, a distância entre os dois mundos é tão grande que fica cada vez mais difícil de manter uma conversa entre eles. Depois, se à maioria das pessoas não é permitido nem dormir de verdade, acordar de verdade é ainda mais difícil e a distância entre o inconsciente e a realidade só tende a aumentar. Ai entramos em algo que o Sato disse no post anterior, que o engodo nos impede que vejamos a realidade do mundo e o nosso próprio eu, o Self. Estamos impedidos de ver a realidade do mundo porque estamos impedidos de ver sentido na relação inconsciente e mundo, e como eu disse nesse texto, o incosciente é a parte de nossa psique que não suporta viver conscientemente num mundo de engodo, logo, é a parte que "viu" outros pontos da realidade e que foram castrados, que viram a própria castração... Ai estamos impedidos de ver nosso próprio eu, o Self, porque não conseguimos compreender nossos sonhos, nosso inconsciente, aumentamos cada vez mas as barreiras contra ele e deixamos de perceber que somos maiores que nosso ego, mais complexos do que a sociedade que nos considera uma parte de sua organização, quando na verdade ela também faz parte de nós, ela é que é nossa organização. A plenitude, a individuação, a iluminação, como queiramos chamar, ou todas elas juntas, são a possibilidade dessa percepção.
24.1.03 :::
Talvez a gente tenha que fazer um verbete no Docionário sobre o Engodo. Mas isso é muito difícil, o Engodo é muito complexo, com muitas facetas. Está por toda parte. O Engodo é muito semelhante à Ideologia, ou seja, um método de ocultar a realidade para que as pessoas aceitem a dominação de umas pelas outras e a exploração e a infelicidade, todas características de nossa sociedade. Mas o Engodo tem um significado mais profundo, não só político, mas é uma distorção da realidade que aprendemos desde pequenos e que chega a interferir em nossa percepção sensorial das coisas, o Engodo impede que vejamos a realidade do mundo, o nosso próprio eu (Self). Impede que nós vejamos que nós não somos mônadas mas estamos interligados com tudo que existe, etc. Que a realidade é a existência da possibilidade de múltiplas realidades baseadas em linguagem. O Engodo é a transformação da lógica e da linguagem em fins em si mesmos, ao invés de instrumentos para melhorar nossa vida. O Engodo é a manutenção das nossa defesas psíquicas muito depois de não precisarmos mais delas. O Engodo nos impede de ver que não há mais perigo e podemos nos entregar ao mundo e às outras pessoas. O Engodo é a fonte das neuroses, psicoses, perversões e todo tipo de perturbação psíquica - o que todas elas têm em comum é a negação da realidade. O Engodo é a ilusão de que só o ego existe, e que só há um estado de consciência válido. O Engodo é o utilitarismo. O Engodo nos impede de viver o presente. O Engodo é o oposto do amor. O Engodo é um nome que nós damos pra tudo o que impede o homem de seguir seu caminho natural e alcançar a plenitude, a individuação, a iluminação, como você quiser chamar isso.
Mas não era disso que eu queria falar. Queria apoiar o Igor em seus projetos relativos a nossa amiga Maria Ska Pastora. Vai fundo, cara, e arruma uma dose pra mim, pelo menos. Ia dizer outras coisas, mas esqueci.
23.1.03 :::
Só pra eu não esquecer e porque eu tô com preguiça de escrever no papel, mas a vacinação contra febre amarela vai até as 20 no Emílio Ribas, o foda é que tão arrumando e a enfermeira de plantão não sabe mas acha que amanhã já ta rolando. No Hospital das Clínicas é até as 15, na Enéas de Carvalho Aguiar, ali perto da Rebouças, mas 15 é muito cedo, pô.
Achei um fórum no mínimo engraçado sobre maconha e outras drogas, na verdade o tema central é criação de maconha em casa, mas tem fórum de tudo lá, chama Growroom.
Caramba, dormi duas horas, tive um sonho estranho, mas nem tanto, e quando acordei todas as teorias interpretativas de sonhos tinham perdido o sentido pra mim, Freud, Jung... Fiquei três horas me remoendo na cama, pensei um monte de coisas interessantes mas agora não consigo lembrar de nada, que lixo.
Acabo de chegar do Ó, fui escutar um chorinho ao vivo. Acontece que apesar de tudo, uma das motivações estranhas pra ir lá hoje era realmente a de reviver coisas do passado que mesmo quando eu afirmo que já passaram, confesso uma parte de mentira. Não que seja uma motivação exclusiva, mas era algo que eu gostaria de confrontrar pra ver o que ia acontecer. Acontece que justo hoje no lugar de confrontos com o passado tinha um sujeito atendendo, que saco.
22.1.03 :::
Curiosamente, a foto de nosso amigo Murphy reflete, acuradamente, nossas próprias atividades. Quase todas elas, pelo menos. Mas o fato é, era um apartamento vazio à nossa disposição para nossas atividades subversivas e useless, tem uma praia perto (a praia não tem culpa de quem usa ela), tava perfeito. Não mantivemos relação com nenhum dos estranhos habitantes de lá. Eles, por sinal, desviavam o olhar se nos vissem. E nem sequer tinha patricinhas gostosas, era quase tudo horríveis famílias com suas crianças e bebês. Mas tudo bem.
Agora, alguns aforismos que pensei:
Toda a existência é formação. Forma + Ação. Fases de um processo. Nada é fixo, tudo flui, tudo é impermanência, menos o processo eterno.
Na palavra useless, se diz muito: use + less = use menos.
e, pra terminar, uma frase do encarte de um CD do Shpongle (aliás, altamente recomendado): "Your body is a nightclub, as well as a temple."
Caros amigos, recebi notícias frescas do Sato. Parece que a CIA realmente conseguiu infiltrar-se no apartamento do Loco e tirou fotos, conseguimos encontrar a seguinte imagem nos arquivos secretos. As aparições do Garoto Monocelha me chamaram a atenção desde a rave Solaris, quando ele foi visto nas redondezas do prédio do Loco pela primeira vez, sabemos agora com certeza que sua microcâmera fica escondida nos pelos do meio da monocelha. Que fique claro que o Sato além de Sato é Jesus, então todos os seus pecados são perdoados, inclusive porque eu sou deus. Eis a notícia com a imagem anexada:
"Caro Mally,
Mando em anexo o registro pictográfico das atividades
secretas e subversivas do sujeito "Murphy", como
encontrada nos arquivos da Central de Inteligência
Americana. Suspeito que a foto tenha sido tirada pelo
agente conhecido como "Garoto Monocelha", que, segundo
fontes, foi visto nas redondezas do Condado de Richón-
Pivièra de São Lourenço (notar que a sigla de "De São
Lourenço, ao contrário, claro, é LSD). Favor tomar todas
as medidas necessárias com esse material e torná-lo
público para que todos possam tomar precauções quanto a
esse tipo de comportamento perigoso e useless. Obrigado.
Eis aqui mais alguns exemplos de russas com perfil completo. Vocês irão notar que nem todas elas são da Russia, tem também da Latvia (???) e da Ucrânia, destaque para a Julia, ucraniana, 19 anos, procura homem com mais de 40. Depois disso seguem mais fotos de russas tradicionais do site que fechou:
[Nota de 2007: os nomes não valem mais, imagino que elas devam ter casado, então fica, agora, sempre uma surpresa aleatória nessas quatro "russas"]
Aparentemente, o sr. Incensenseiciador, já disse tudo sobre a viagem, pelo menos quase tudo, e talvez tudo que eu consiga lembrar também... Enfim, minhas próprias experiências pessoais e subjetivas e intransferíveis estão representadas graficamente e verbalmente (mais ou menos) no famigerado caderninho-amarelo-da-ser-e-fazer-do-Busilis, que ainda não me deram para que eu o transcreva aqui. Portanto, calma.
Mas gostaria de anunciar que hoje é o aniversário do Bebêbabubúlgaro, o ocoL, identidade secreta do okoL, ou seja, o Loco, aquele ser condenado a roubar seu próprio carro por toda a eternidade enquanto sonha com kombis psicodélicas cheias de russas.... Hoje é aniversário do Loco, deixem comentários parabenizando ele.
Medo e Delírio é muito bom, apesar da filosofia pessimista do final. O que prova sua qualidade é que não me lembro de ter visto nenhuma crítica positiva nos jornais, mas nenhuma delas conseguia explicar direito porque o filme era ruim, apenas reclamavam que não tinha história, e eram só pessoas se drogando o tempo todo, e elas não eram castigadas no final pelo seu comportamento pecaminoso. Realmente, o filme deve ser difícil de entender pra quem nunca passou por coisas semelhantes, pra quem não é da cultura das drogas, - como a maioria dos críticos de cinema, creio eu.
Em algum lugar lá embaixo, Incensenseiciador diz que a expressão Gatinhas Psicodélicas foi substituída por Russas, mas creio que é mais correto dizer que houve uma superação-conservação da expressão. Em portugués não existe uma palavra que expresse a idéia de superação e conservação ao mesmo tempo, mas no alemão, claro, há: "Aufhebung". - Momento de cultura. Enfim, o que quero dizer é que não há uma equivalência direta entre os dois termos, creio que Russas representam uma idéia mais sexual e relacionada a aventuras momentâneas enquanto as Gatinhas Psicodélicas roubariam nossos corações por muito tempo, mas pensando bem, essas distinções são BEEM flexíveis. Como todas as nossas regras.
21.1.03 ::: Medo, delírio e algumas coisas boas da vida
Eis o poster do filme. Procurando na internet, achei algumas coisas interessantíssimas, não só sobre o filme. Eu nunca me preocupei em anotar ou guardar a fonte das coisas que eu publico, a não ser que esteja recomendando o acesso direto à fonte, mas garanto que tudo isso que eu estou mandando pode ser encontrado na busca por "medo e delírio" no google.
Achei essa sinopse altamente elucidativa:
"Enviado para Las Vegas para cobrir o Mint 400, uma corrida de motos no deserto, o jornalista Dr. Thompson (Johnny Depp) e seu advogado (Benicio Del Toro) se encontram numa cidade onde somente drogas poderosas podem fazer com que as coisas sejam ligeiramente normais."
Alguns leitores do site da sinopse deram suas notas e comentários:
8 "O filme tem até alguns exageros, aceitáveis, mas é bem divertido e muito maluco."
9 "Sem dúvida este filme é um dos melhores dos anos 90."
0 "Este filme é ridículo! Pena que não dá para dar -1."
9 "Sobre drogas, não há melhor lição que ver este filme."
10 "Medo e Delírio é brilhante! O filme expressa corretamente o que é a paranóia das drogas. O filme é como Kids, só que entra mais no significado das pessoas em si e não em um grupo."
Não concordo nem discordo de nada disso, mas tem uns comentários bem ridículos...
Eis uma parte da opinião do Estado de SP sobre o filme:
"Isso porque a história é feita de fiapos e gags e não passa de uma trip interminável, com os dois doidões se drogando em tempo integral e entrando nas situações mais estapafúrdias do mundo. Não daria para segurar um longa-metragem, e, de fato, não segura."
Eis uma sinopse que eu não consegui assimilar direito, vou mandar o link porque é grande e tem que ser lida totalmente. Aqui, outro link de uma sinopse um pouco mais objetiva e menos parcial, talvez. Apesar de fazer parte de uma sinopse bizarra, essa frase é bem sugestiva: "Terry Gillian leva todos os espectadores para o mundo que envolve os personagens, sendo que é possível algumas pessoas começarem a ver morcegos durante a projeção."
De outra sinopse incompreensível (pra mim, porque é totalmente padrão, chavão...):"...basta saber que suas viagens lisérgicas fazem os delírios experimentados pelos personagens de Trainspotting parecer um sonho enfadonho e burocrático."
O site Combate às Drogas apresenta um catálogo de filmes, entre eles Medo e Delírio, e ainda os disponibiliza para venda, incrível.
Sobre o jornalista (Thompson) que escreveu o livro que inspirou o filme e que é baseado em fatos reais, existe, entre tantas outras coisas, como o a filosofia do jornalismo gonzo, alguns adeptos de tal filosofia jornalística que criaram uma irmandade com um dos pseudônimos do jornalista, e criaram a Irmandade Raoul Duke.
Destaque para o Dossiê Cogumelo, que embora não seja a coisa mais inteligente que eu poderia ter lido a respeito do assunto, também não está entre as menos inteligentes, traz coisas interessantes, inclusive algumas dicas de como reconhecer os cogumelos certos.
Não encontrei o Sato hoje para lhe entregar o caderninho. Só ele tem o poder de decifrar suas próprias garatujas e só ele tem o poder do scanner. Estamos vivendo o estado de omufmes, que pode ser resumido por estamos sem fumo. Certo, ficou sobre minha responsabilidade conseguir isso para nossa próxima viagem, mas estou com preguiça de achar alguma fonte, alguém pode me facilitar as coisas? Aliás, qualquer canal é bem vindo, anyway...
Mas quero relatar-lhes as mais belas histórias que se passaram, dentro e fora de minha cabeça, durante essa viagem, histórias como a do cérebro infectado por nós, das conspirações da CIA e qualquer outra que eu lembrar.
"Nós somos uma infecção em um grande cérebro." Foi o que pensei em algum momento da balada, note que eu utilizo a palavra balada indiscriminadamente para qualquer evento, seja ele uma sessão de colados num apartamento ou a Klatu, trance da melhor qualidade. É muito simples e lógico. O que chamamos de Terra, o planeta, é na verdade um cérebro, com todos os seus neurônios ávidos por neurotransmissores. E nós, o que somos? Uma grande infecção generalizada, sugamos os nutrientes, o oxigênio, alteramos a estrutura e, o mais importante, somos maníacos pelos neurotransmissores. Acho que não pode ser outra coisa. Mas não podemos esquecer de que ao mesmo tempo somos o grande sonho de um deus em coma e que tudo isso não passa de uma grande viagem de ácido da Janis Joplin. Aliás, eu já falei sobre a Janis??? Leitores antigos, ajudem-me a não ter que ficar vasculhando os arquivos, já??? O Sato representou graficamente muito bem a noção de cérebro infectado em seu desenho Infected Brain Mushroom, esperamos que isso seja escaneado em breve.
Quando eu voltei à realidade lá pelas 6 da manhã do terceiro dia da viagem (não que eu tenha ficado "fora" por tanto tempo), estava na sacada do apartamento com o Sato e o Loco, observando o mar e o sol que acabara de nascer dele. Acontece que nada fazia sentido, ou melhor, a única coisa que fazia sentido era que o Loco e o Sato eram agentes da CIA me investigando com seus produtos químicos e que tudo aquilo, o sol, as viagens, as piadas, não passavam de armação, computação gráfica e tecnologia de ponta. Mesmo assim fomos até a praia nadar e tudo era perfeito. O condicionamento físico geral era inexplicavelmente bom, todos aguentavam nadar e tinham fôlego pra tanto, a paz do lugar era incrível, o mar parecia um tapete azul-esverdeado ao fundo, entrecortado por ondas e marcado pela linha do sol. Porém, isso só fazia reforçar a idéia de que nada daquilo podia ter um sentido natural que não fosse um complô da CIA e lá estavam dois traidores fingindo que eram meus amigos. Essas nóias são bem engraçadas, porque logo depois você percebe que já tinha esquecido de tudo isso.
Falando em nóias, quero sugerir a todos o filme Medo e Delírio, com Jonny Depp e Benicio del Toro, dirigido por um dos caras do Monty Python, o mesmo dos Doze Macacos (são doze mesmo?). Bom, é um filme incrível que eu já tinha assistido e que assisti de novo mais umas duas vezes inteiro e mais vários pedaços esquizofrenicamente apresentados, muitas vezes mudos e com umatrilha sonora aleatória. Beleza, é um filme sobre um jornalista e seu advogado indo pra Las Vegas em 71, acompanhar uma corrida. Eles não fazem nada disso e ficam o filme todo noiados em Las Vegas. Não sei fazer propaganda de filme sem contar ele inteiro, então aluguem e pronto. Destaque apenas para o adrenocromo. Trata-se de um hormônio produzido pelo corpo que nada mais é do que adrenalida oxidada. Bom, pelo menos no filme os resultados da ingestão dessa coisinha é excitante e desde que eu vi pela primeira vez, sonho em encontrar isso. Se algum estudante de medicina puder colaborar, agradeço...
Pularei uma grande série de anotações do Sato e do Loco seguidas de uma série de desenhos esquemáticos do Loco e rabiscos episcopáticos do Sato, isso será publicado mais tarde, inclusive os desenhos que o scanner conseguir entender, mas prossigo:
"Nós somos uma infecção em um grande cérebro."
"Registro histórico: tentativa de reconhecimento das etapas da cola:
- Primeira parte: Reação ao ato de bafar, no caso, risadas e incompreensão epistemológica.
- Parte coringa: observação de um programa de de tv de loiras gostosas.
- Algumas etapas: Cenas do filme o invasor espiral dialética. Russas. Nada dos efeitos mais pesados.
- Etapa seguinte. Louco ronca, Camel toca, não senti ainda o barato porque estou escrevendo e falando demais.
Masquenegaéessa etc formigamentos
Operação cancelada, cheirar cola não bate mais.
Parece que há algum tipo de resistência à cola depois de alguns dias"
A tv pergunta: "Aonde está o Deus que me criou?"
"Cheirando cola na Riviera."
Acabo de acordar. Durante essa semana abolimos as noções usualmente conhecidas como fuso-horário. Dormir e acordar aconteciam em qualquer momento, dificilmente duravam o tempo recomentado pelos médicos e nunca seguiam o horário padrão.
Os sons que nos acompanharam durante todo o tempo foram a já oficial trilha sonora das viagens de cola, a sonoplastia de Beleza Americana, acompanhada de tudo o que há de mais psicodélico, episcopático, eletrônico, progressivo. Ozric Tentacles, Infected Mushroon, Pink Floyd, Finch, Focus, Gil e Jorge, Zé Ramalho e Lula Cortes e outras coisas mais...
Tinha esquecido de dizer antes, mas tudo começou com a comilança de flores que acreditávamos ser da família dos lírios, mas não eram, então começaram (eu comecei) as anotações, lembrando que respeitamos fielmente o que está escrito, sem correções ou interpretações:
"1° anotação da balada: Mas que nega é essa?"
"Feijão, acho que não bateu."
"Se o Lírio não causou delírio, de motivos para o colírio."
O Busílis, que não nos acompanhou em nada durante a viagem, fez uma lista do que gostaria de estudar daquele da em diante: etiologia, etologia, religiões, artes, cores, luzes, livros, sons, movimento, perspectiva, estrelas, velas.
É ai que eu descubro:
"Estão todos mortos, todos mortos..."
"ou não" responde o Busílis. Que depois me acordaria no meio da madrugada para que eu escrevesse meu telefone em uma lista estranha. Ele também toma a seguinte resolução: "2° resolução: Não dizer mais palavrões. É feio."
Finalmente termino e consigo me lembrar do coro das formiguinhas, o coro do engodo:
"Nós somos as formiguinhas,
tralalalalá.
Gostamos de pegar pedrinhas,
tralalalalá.
Vamos trabalhar, trabalhar, trabalhar,
para no inverno trabalhar mais
e quando morrermos descançarmos em paz."
Como o caderninho não fez muito sucesso dessa vez, foi depois de muito que finalmente o negócio começou de vez:
"1° Viagem Assistida de Saco Recuperado de Cola.
3:49: Recuperação do Saco. O saco de cola do bebê [Loco, a identidade secreta de ocoL] foi a coisa mais tchofindersenders desperdiçada que eu já vi.
3:51: Começa a inalação e tudo está calmo para o início.
3:54: Primeiros fatos, apesar da dificuldade em [?????], parece que a cola altera a percepção das coisas pegajososas.
3:57: Drogas, drogas, drogas, drogas........... Parece que não há o que escrever, apenas repetir, drogas, drogas, drogas...
4:03: É, sons technera, visões coloridas, parece que a cola não provoca alucinações [sic, tenho certeza de que não queria escrever isso, mas o contrário].
4:07: Eu estou no meio de uma obra onde está rolando um techno, mas tudo na verdade não passa das ondas do mar quebrando e as cores mudando e eu ouvindo enquanto escrevo como se fosse uma technera, qual o seu problema?
4:12: Ouvindo uma eterna technera do mundo você se pergunta porque continuar respirando, sabe que não tem a resposta mas sabe que não pode parar de respirar e não consegue sair desse engodo. Porque enquanto sua mente ativa esbrava, seu cormo inerte simplesmente responde, eu estou chocado mas continuo respirando, e o som não para.
4:15: O Loco aparece no meio da viagem, mas nada parece fazer algum sentido complexo:
- Valeu, Loco.
- Valeu!
Tudo parecemos sons repetitivos. Tudo parece intangantar [sic]. Estrelas no céu. Vejo estrelas, muitas estrelas, e um som repetitivo, parece o techno da natureza, eu não leio o que escrevo e parece que estamos sendo invadidos por 2001 Uma Odisséia no Espaço, talvez amanhã, isso não passem de rabiscos.
4:27: Fim - o caramba.
4:44: Descrição da balada: Imagine tudo que está na sua cabeça passando como informação bruta não simbolizada. Algumas imagens e sons se manifestam. Tudo é ao mesmo tempo muito pequeno e infinitamente grande. Os movimentos para escrever só satisfazem a idéia do real movimento. As imagens são estranhas. No escuro não dá pra entender nada. PArece que é o coração acelerado, mas não dá pra sentir os batimentos de verdade. O barulho do mar é constante. Olhos fechados = viagem total, completa, acelerada e descontrolada. De olhos abertos tudo parece normal, menos as luzes que piscam. A cabeça continua acelerada. Que coisa incrível.
Usamos drogas não como fuga da realidade, mas como uma busca de alguma realidade, uma atitude de saudade.
Mas as imagens e os pensamentos são indescritivos em palavras. Muito rápidos, muito complexos, parecem manifestação de algo que realmente não pode acontecer no trânsito. Poderia acontecer em um elevador. Acho que nossa atenção é cobrada demais. Claro que das coisas compreensíveis pensei em Alto Paraíso, nas coisas óbvias que perguntariam se pensei, nas coisas não óbvias. Até no blog, no gorrinho de papai noel, vieram nomes na cabeça, uma Isabel que mandou a foto, uma Daniele, tirou a foto, uma Mariana, me viu lá e lembrou.
Mas isso é só um ponto da viagem. Ela passa por diversas outras coisas.
Tudo que eu quiser, ao que me parece, pode ser escrito agora:
Era uma vez uma batata assada. Ai então ela cansou de ser uma batata assada. Mas que porra de batata assada é essa?
Um poema de D. W. Winnicott, o que existe em psicanálise:
Sleep
Let down your tap root
to the center of your soul.
Suck up the sap
from de infinite source
of your unconscious
and
be Evergreen.
Sonho
Deixa penetrar a raiz
no centro de tua alma
aspira a seiva
da fonte infinita
do teu inconsciente
e
conserva teu verdor.
Acabo de considerar Winnicott o maior gênio drogado que não usou drogas de toda a história, inclusive a da psicanálise.
A capacidade de ficar só: Não se diferencia o instinto cru do objeto que o satisfaz. Não se explica pelo objeto.
Estar só é poder estar acompanhado."
20.1.03 :::
É o retorno do retorno, ele sempre volta e volta e volta. Estamos de volta, que coisa. Mais uma vez, como já aconteceu antes, alguns novos leitores que não bisbilhotam os arquivos serão surpreendidos por relatos que não esperavam (???) e deixarão de ler o blog, isso sempre acontece, e antes que isso pareça mais um apelo de cheiradores de cola, isso não é possível porque não somos tal coisa, embora consumamos as coisas mais podres a que um cidadão comum tem acesso. Pra falar a verdade, isso se limita ao benflogin (o que aconteceu de uma a duas vezes por ano, em casos excepcionais) e ao tolueno, solvente maldito que se vende pelo nome de cascola, mas que pode ser chamado de tantas coisas, como no nosso caso, de tijolo (longa história), doce de leite, ou a coisa mais engraçada pra se fazer, o ato em si, com os saquinhos. Essa é uma atividade limitada a rituais sagrados que acontecem bem esporadicamente nas férias. Todo mundo sabe que esse negócio faz mal e não recomendamos a ninguém, muito menos a quem não garante controle sobre seus instintos mais paranóicos, primitivos e violentos (exagerei).
Como seres humanos que somos, ao que parece, apesar de mantermos tal tipo de blog, rimos descaradamente quando o Busílis trocou o relógio do Pinguim por um sorvete na praia, depois de três dias sem dormir, isso porque ele não usou nada na viagem, mas já estava tão zuado que não conseguia mesmo, é só imaginar três dias de nóia de benflogin. E ele conseguiu recuperar o relógio. Ainda como seres humanos, demasiadamente humanos, declaramos aqui que torceremos até o fim, incondicionalmente e irracionalmente para a Sabrina ganhar o Big Brother.
Parece que o conceito de gatinha psicodélica foi abandonado, ou melhor, substituído pela palavra "russa". Isso mesmo, estamos todos apaixonados por russas de sites de casamento. Mas é como disse o Sato, amamos todas as russas, não importa a nacionalidade. E tendência dos próximos posts é a de publicarmos as anotações, que desta vez foram mais escassas e mais separadas por autor. Sim, saberemos quem falou as piores porcarias ininteligíveis para uma mente controlada pelo ego. Onde falamos as melhores coisas sobre como compreendemos as coisas maiores do que as ditas verdades de nossa realidade mas que também não podem ser compreendidas pela mente normal e mediana. Todos os deuses são aceitos, quanto mais deuses melhor.
Falando em deuses, anotem o novo mandamento, o quarto mandamento é "Abrirás os olhos" (inspirado nas 100 dicas para melhorar sua vida sexual da revista Nova). Haveria um quinto mandamento e um décimo-quarto? Quem se lembrará?
Meu cabelo é castanho, anda meio escuro, mas não é preto, eu já fui absolutamente loiro, há muito tempo atrás, mas as opções do South Park são limitadas.
Temos um plano para a próxima viagem. Partimos em breve para alguns dias em São Thomé das Letras, a terra cumprida (já foi prometida e já cumprimos a promessa), donde seguimos para Milho Verde, onde acontece a rave de três dias. Continuamos subindo e paramos em algum lugar a decidir no meio do caminho, ainda em Minas ou já em Goiás, depois chegamos em Alto Paraíso e lá ficamos para o resto de nossas vidas, ops, isso vai acontecer depois, bom, é isso, até lá nossas vacinas para febre amarela já terão batido e seremos imunes aos males incontroláveis de nosso deus em coma.
Que se sigam as anotações episcopáticas, que o Sato depois escaneie os desenhos e revele a incrível foto do macaquinho maconheiro. Que a felicidade do sol nascendo no meio do mar, bem na nossa frente, permaneça e faça amizades dentro de nossas cabeças, que nossos pulmões se recuperem e aguentem até morrermos de velhice, que nossos fígados continuem se regenerando como manda a santa mãe natureza, que beleza...
14.1.03 :::
Hoje estava pensando sobre o NGG e não cheguei a conclusão nenhuma, achei isso bom, porque é por ai mesmo que eu posso compreender isso como parte desnecessária de algo ainda mais desnecessário que é todo o resto. Enfim, o que é necessário, afinal? Além das necessidades objetivas básicas, obviamente...
Estamos partindo para nosso estágio praiano em elaborações de novos circuitos de (in)consciência. Como sempre, e os velhos leitores sabem bem disso, retornaremos com histórias incríveis e as boas e divertidas anotações inconscientes. Um dia vou comparar todas as anotações feitas, e aqui publicadas, e encontrar alguma evolução nisso, alguma relação, alguma qualquer coisa, mesmo que seja a própria anti-coisa. Como partiremos, o blog ficará quieto por uns tempos, acredito que até o fim da semana só, vamos ver...
E aqui a imagem que eu tinha feito de mim na rave. Tinha feito faz tempo, mas deu uns rolos aqui e só agora eu consegui arrumar ela pra publicar, agora que tem a foto já não tem tanta graça:
Putz, parece que os comentários vão ficar um tempo fora, o site nem tá com o aviso padrão de erro, ele simplesmente sumiu. Bom, se tiver voltado, ignorem isso, senão, se alguém quiser comente pelo e-mail, tá ali em cima de tudo em "Contato".
13.1.03 :::
Eu, na qualidade de deus, venho para avisá-los das últimas atualizações dos mandamentos divinos, que agora são cinco:
1. Serás humilde. (colaboração especial do Beto, que me ligou no dia que a gente ia tomar o ácido no Sítio do Loco e me disse isso)
2. Pegarás Malária.
3. Deverás a deus R$ 30,00 se fores o Loco.
11. Não cairás no rio.
12. Mandamento coringa, determinado a sua escolha da maneira que mais interessar em cada situação.
Na verdade até tinha o mandamento 12, mas como os dois últimos foram feitos na rave, só o 11 ficou preservado na memória...
Tive um sonho bizarro, foi assim: Começou num clima totalmente senhor dos anéis, estava num castelo cheio de orcs, não sei bem nessa hora qual era a minha situação, mas acho que eu estava atrás dos portões do castelo quando eles se abriram e entraram alguns carinhas bons, acho até que eram personagens do filme, ai eu gritei pra um que tinha um orc atrás dele e ele nem ligou, depois fui descobrir que era o velório do vilão dos vilões, fui até lá ver o corpo, um corpo pequeno, só com o tronco e a cabeça descobertos, olhos entreabertos e totalmente brancos, ao lado, numa mesa, alguém muito triste, com a mesma cara do morto, parecia ser o herdeiro de todo o mal. Beijamos a mão dele e fomos embora. Saindo do castelo pegamos o carro, nessa hora era eu e meu irmão, estávamos voltando pra casa. Quando viramos da Paulista pra Pamplona, a rua toda estava em obras porque estavam substituindo o asfalto por um mosaico de pedras, tipo de calçada, e a rua estava impedida bem na hora em que tinhamos que virar. Paramos o carro e entramos a pé em um estacionamento. Lá dentro andamos tanto e pra todos os lados que perdi a noção de direção, saí em uma rua que chegava num cruzamento da José Maria Lisboa com a Barata Ribeiro, cruzamento esse que só pode existir em sonhos, mas que era perfeitamente plausível. Nessa hora eu não sei mais quem está comigo, e a Zé Maria é uma puta avenida gigante com um viaduto por cima, totalmente viagem, então eu coloco um chiclete enorme na boca e seguimos em direção à Pamplona a pé. Nisso eu não consigo mastigar o maldito chiclete e começo a tentar tirá-lo da minha boca, vou puxando mas nunca consigo tirar o suficiente, sempre tem mais grudado nos meus dentes e preso entre eles e a bochecha, chegamos a uma quadra pequena onde a rua é sem saída, outra coisa que é impossível na Zé Maria, o fim da rua é um portão e atrás tem um matagal fechado e um cachorro. Pensamos em pular quando uma criança, que é quem estava me acompanhando diz, olha só, não se pode deixar uma pipa presa em portões de cobre. Quando eu olho percebo que tem uma pipa voando bem baixo presa por um arame ao portão que iríamos pular. Chega então um homem e me diz, por causa do chiclete, você precisa tomar um remédio para essa garganta. Ai eu desisto e acordo.
11.1.03 :::
Ah não, descobri a verdadeira verdade por trás de todo o engodo. Parece que a verdade verdadeira é que na verdade os agentes da CIA são da sociedade das pirâmides do Egito e o que está faltando para eles é um componente que só o carro do Loco tem para que eles possam criar escutas telefônicas que funcionem com a torneira ligada. Por isso eles treinaram eu o Sato e o Chile para roubarmos o carro do Loco para conseguir o componente para que eles possam criar as novas escutas e ai sim possam controlar a viagem de benflogin do Loco em tempo integral. É muito foda esse contato todo com a realidade real.
Descobri uma mensagem secreta no docionário deixada pelo Sato. Se observarem com atenção, a definição do verbete Gatinhas Psicodélicas 2/2 exclusiva do Sato termina com algo do tipo "prefiro acreditar que elas pertencem ao futuro." A penúltima definição de Alto Paraíso é "O futuro." Entenderam?
Acho que finalmente consegui uma maneira fácil de ganhar 16 milhões. Achei esse site japonês na internet que anuncia um jogo, eu acho, que plagiou o nome do nosso blog inescrupulosamente. Apesar de não entender nada do que tá escrito lá, percebe-se facilmente o plágio desmedido. Nos quadrinhos com as imagens, é claro que o desenho é uma cópia do Busílis depois de uma plástica para extração de sobrancelhas e sem a cara de preocupação característica e mais algumas mudanças estéticas. A imagem da menina no quadrinho de baixo, é nítida a semelhança com o Sato só que sem a barba, até os olhos de chapado eles mantiveram. E por que está tudo em japonês? Por causa do Busílis, óbvio. E o sujeito de terno em preto e branco, totalmente cópia. E a sala amarronzada de um dos quadrinhos de cima, é uma cópia praticamente fiel da sala Pró-Aluno, onde muitos dos posts foram criados e escritos. A falta de qualidade nos gráficos verdes também é reveladora, mas nem o Sato desenharia algo tão primário, mesmo se se esforçasse muito, eles tentaram disfarçar, mas não conseguiram muito bem, tsc tsc...
A leitura de Flashbacks, a autobiografia de Timothy Leary se faz de modo entorpecente e viciante, como eu já havia falado. Algumas noções sobre os anos 60 me eram completamente inimagináveis, assim como são confirmadas cada vez mais as execrabilidades da CIA e dos americanos em geral. Aparentemente foram pesquisas como a de Leary, se não o uso indevido da própria, responsáveis pelo projeto de reprogramação da mente que deu origem ao filme Teoria da Conspiração, por exemplo. O tal MK-ULTRA realmente existia. E faziam tudo com LSD e seus amigos, isso é praticamente um pecado mortal, além de um tremendo desperdício. E eu aqui, no novo milênio, tomando essas porcarias de papel cheias de anfetaminas, enquanto eles tomavam em pílulas ou líquidos, puros, ah, merda...
10.1.03 :::
Adicionei um verbete novo no Docionário, sobre Alto Paraíso. Peço ajuda de meus colegas de blog para completarem os significados. Também fiz uma pequena e insignificante ampliação no verbete Gatinhas Psicodélicas 2/2.
(Peço ao sr. Mally que coloque os links necessários nesse post, por favor.)
Tudo de volta aos conformes, eu mandando um post atrás do outro, o Sato mandando post ao mesmo tempo que eu, comentários pertinentes, mais participações especiais do Loco, a identidade secreta de ocoL nos comentários.
Agora que o NGG faz oficialmente parte da cena eletrônica, lanço uma pergunta: Ozric Tentacles faz música eletrônica?
Com preguiça de navegar na internet em busca de informações dos aficcionados, fui buscar nos encartes alguma elucidação para a pergunta e achei coisas interessantíssimas, que já tinha lido e não recordava, do encarte de Erpland. Swirly Termination e Curious Corn não têm nada no encarte e não estou aqui com o encarte de Waterfall Cities, todos álbuns altamente recomendáveis. Mas, sem delongas, eu cito:
Sobre o álbum de estréia, que eu não tenho: "...Pulgent Effulgent had been recorded in 1988 over a four month period at Dave Anderson's Foel studio in the wild of Wales (a venue that was in perfect proximity to a plentiful supply of magic mushrooms!)" Bom, achei essa passagem esclarecedora, não fala nada sobre a minha pergunta, mas elucida bastante sobre a qualidade das músicas.
Sobre o Erpland: "Opening with a re-recorded version of Eternal Wheel from the There Is Nothing Cassette the album drifts onward through a melange of blistering space rock, reggae infused smoking tunes and exotic psychedelic styles, from the eerie Toltec Spring and rolling, surging Tidal Convergence through to the hypnotic persistence of The Throbbe. It is, however, the mixing of exotic Asian and Middle Eastern music that makes the Ozrics stand out from the ordinary space rock crowd. The blendind of acoustic and electric instrumentes with spiralling space rock guitar, cross polyrhythmic percussion and bubbling synths on tracks like Suscape, Mysticum Arabicola, and A Gift Of Wings gives Erpland a delicately perfumed diversity. This is enhanced by the records superb production and the bands perfect execution of their studio craft. The finished result gives few clues as to the live psychedelic ferocity of the band and it is perhaps for this reason that Ozric Tentacles began to attract more mainstream audience when Erpland finally hit the shops in Autumn of 1990. Executive types began picking up Ozrics Tentacles CDs to play on their car stereo, whilst younger kids, exhausted by the two note Techno of their generation discovered the pleasant chill out properties of the Ozric's music."
Olha, não fica nada esclarecido, eles falam de instrumentos acústicos, elétricos e sintetizadores, fogem do space rock convencional e acho que o melhor é considerá-los como uma mistura excelente de coisas inimagináveis. Não podem ser considerados eletrônicos porque tocam os instrumentos, mas tem muita gente que pode confundir música eletrônica com música com loopings e repetições. Nada contra o Techno também, mas vai saber do que se tratava o "two note Techno" do início dos anos noventa, eu era muito novo pra isso. Mas isso não importa nem um pouco, a questão é, se alguém não se interessar por essa descrição, eu não teria como fazer propaganda melhor dos caras...
Talvez um gnominho de vários olhos ajudasse...
Puxa Sato, que sensacional, e ele ainda teve tempo de me ligar no meio de tudo isso. Depois conversaremos melhor a respeito. Quanto ao 4,50, parece que é realmente um arquétipo não? Acredito que não falo só por mim, então posso dizer que estamos todos ansiosos para ouvir e, porque não, até criar letras, se possível, para as músicas que você tocar em sua flauta ácida, quer dizer, doce, ah, você entendeu.
Mas eu não tinha vindo postar por causa disso, esse foi um divertido imprevisto, vim aqui só porque eu precisava avisar que depois de ter sido papai noel na Solaris, dessa vida mundana de rave pra lá, drogas pra cá, resolvi abandonar tudo isso e me casar com uma russa. Na verdade eu recebi um e-mail do site de russas por correspondência e me apaixonei por metade das fotos, sendo que da outra metade algumas eu simplesmente endeusei e algumas eu achei só interessantes. O ponto é que eu acabei me cadastrando de verdade, só de sacanagem, com uma descrição realista, mas omissa, sobre a minha pessoa e a minha personalidade e sobre o tipo de russa que eu estou procurando, talvez receba alguns e-mails se meu cadastro for aprovado. O mais divertido é que pode ficar dando nota pras fotos e ai vai aparecendo mais. Prometo que contarei tudo de divertido que acontecer.
Separei uma pequena amostra de fotos para que vocês entendam do que eu estou falando:
Internet é incrível... só assim pra encontrarmos fotos bizarras do sr. Incensenseiciador de gorrinho em raves....
Sonhos são incríveis, também. Ontem, peguei meu caderno onde, de vez em quando, eu anoto uns sonhos meus. Tem uns sonhos sensacionais lá, que eu nem lembrava, meu inconsciente é genial. Mas o mais incrível é que num sonho de 2001, logo, muito antes de São Thomé, eu olhei no relógio que horas são e eram, exatamente, 4:50!!! Está escrito lá, tenho provas. E foi olhando essa hora no relógio que descobri que era dia no sonho, e a escuridão melancólica que estava antes foi embora. Falando nisso, hoje sonhei que estava na casa do Marquito, uma galera fumando maconha e tal, e o vizinho do Marquito era o Jung. Melhor ainda, o Jung era um grande urso, na verdade. E tinha um torneio, onde o Urso-Jung tinha que enfrentar treze cavaleiros, e eu era um deles, mas estava lá por engano e consegui escapar.
Isso tudo me lembra que tomei um ácido ontem, com meu amigo Cadu. Tomei meu último Bart Simpson, lá na USP e foi, bem, incrível. Não sei muito bem como descrever a experiência, a beleza inesperada de cada recôndito da Cidade Universitária, aliás descobri uns lugares novos lá maravilhosos, consegui a proeza de me perder na USP, onde estudo há três anos, e só me localizei seguindo a topografia (obrigado, Loco). Meditei no topo de montanhas altíssimas, voei com as nuvens, andei por vales e bosques encantados.... Ultimamente ando tendo só experiências de amor ou lisérgicas, ou de amor lisérgico, na USP. O lugar já está carregado de significações sublimes pra mim. Como conseguirei estudar naquele lugar nesse ano??? Em meio aos prados onde cavalos chineses se espreguiçavam e as raposas corriam, ouvimos Klaus Schulze e descobri que o cara é um Deus e fez os melhores discos do mundo pra se ouvir louco de ácido. Ouvimos a trilha sonora do "Além da Linha Vermelha", sensacional, me fez fazer uma prece pagã pelo amor e pela existência (se é que há diferença) dentro do meu carro. Bebemos águas santificadas e coca-colas-néctares. Encontrei o Padre. Passeei no sensacional freak-show da Sociais, onde encontrei todo o tipo de ser humano, até alguns que eu não sabia que existia. Vi o obelisco-fálico da Praça do Relógio emergindo das águas e em conjunção com a Lua crescente no céu. Enquanto isso, as crianças se banhavam na fonte, até serem expulsas por guardas-engodo. Criei e segurei um amuleto élfico que me deu forças pra encarar o universo como parte de mim. Voltei pra casa dirigindo, o carro parecia tão leve quanto meu próprio corpo estava. Em casa assistimos "O Sentido da Vida" do Monty Python, e descobrimos o sentido da vida. Ouvimos Jorge Ben, que també é um Deus, ou melhor, um anjo, no disco do Incensenseiciador, e Zé Ramalho, Paebiru, sensacional. Tomei um banho orgástico, comemos pizza orgástica, suportamos as tristes anfetaminas, e acabei por dormir, ainda meio louco, mais de catorze horas depois da ingestão da química em questão. Muito mais aconteceu nesses anos todos que passei ontem, mas não sei como dizer mais. Ah, sim, fiz uns desenhos bem interessantes, incluindo um inusitado gnomo-de-vários-olhos taciturno e desconfiado.
Algumas coisas incríveis têm acontecido. Esse negócio de ser papai noel, wally, mally, incensenseiciador, deus, maluco do gorrinho, rolo, etc, etc, etc tem me confundido um pouco. Tudo bem, acontece.
Andei revivendo algumas coisas da minha infância e lembrei de duas questões que sempre me intrigaram um pouco. Na verdade é assim, sempre achei as pastilhas efervescentes de vitamina C bem interessantes, mas elas não me intrigavam realmente, achava aquilo natural e comum. Na verdade o que sempre me intrigou na infância, aliás, uma das coisas que sempre me intrigavam era o fato de o senhor da guerra não gostar de crianças, eu não conseguia entender porque o senhor da guerra podia ser desse jeito. Eu tinha um programa infantil da tv gravado numa fita, era alguma coisa sobre o cometa Halley, ou coisa do tipo, e tocava essa música na voz de Renato Russo, depois fui descobrir.
No mais, estou indo embora baby, putz, foi mal, estava vendo tv hoje, Hot Science From Africa, falava das pesquisas top de linha produzidas na África e pasmem, todos os chefes de pesquisa eram brancos, beleza. Ai veio uma frase boa, "as frequentes mudanças em nosso estilo de vida têm tornado nosso coração cada vez mais vulnerável", no meio de uma reportagem sobre as novas tecnologias de recuperação e substituição de partes do coração. Mas em nenhuma hora questiona-se os estilos de vida, como se isso fosse inevitável e não que o aumento da vulnerabilidade do coração é um sinal de que está-se caminhando para algo cada vez mais errado.
Timothy Leary é realmente incrível, ele distribuiu psilocibina sintética para metade dos intelectuais americanos dos anos 60, e isso deve ter continuado depois, sendo que tudo era bancado por Harvard e fornecido pelo laboratório Sandoz que, pasmem, é o mesmo laboratório que produz as pastilhas efervescentes de vitamina C que eu tomava na infância. Vejam como o círculo se fecha, incrível não...
Bom, minha foto tem aparecido por ai em vários lugares, já recebi um e-mail com a foto até. Mando aqui um dos links onde ela aparece, eu de gorrinho sendo chamado de Wally. Mais informações, por favor, me mandem, eu agradeço...
9.1.03 :::
Antes de mais nada, quero comentar aqui que eu fui o estreiante do telefone da cozinha da casa do Marquito, telefone que foi instalado por ele mesmo. Eu fui a primeira pessoa a ligar pra lá e ser atendido pelo telefone da cozinha, que honra.
Agora vamos falar sério. Contamos pro Loco que todo o mundo que existe hoje é na verdade uma grande farsa, o verdadeiro engodo, para enganá-lo para que pudéssemos roubar o carro dele. Na verdade nós contamos porque ele não vai acreditar, a idéia é instalar uma nóia nele pra ele se sentir desacreditado. Tudo o que fizemos faz parte do nosso plano bem bolado e ele logo viverá numa eterna nóia de benflogin. Nós na verdade vivemos na sociedade das pirâmides do Egito, uma sociedade que tem tudo, menos um carro, e o único carro de verdade é o carro do Loco, o resto é computação gráfica. Nosso objetivo é conseguir o carro do Loco. Mas contamos também que eu e o Sato estamos desconfiados que a nossa sociedade da pirâmide também é um engodo e foi construída pela empresa farmacêutica que produz o benflogin para testá-lo no Loco, esse é o intuito. Seguindo a filosofia descobrimos que tudo isso na verdade é uma grande viagem do Loco, e só ele existe e está criando tudo isso. Na verdade ele está em coma e isso é uma viagem de coma. A conclusão final é que o mundo é o sonho de um deus em coma.
8.1.03 ::: Contos Natalinos da Rave - parte 3 - Verbetes e Considerações Finais
Chega ao fim o relato oficial da rave pela minha parte (o Incensenseiciador Papai Noel), embora suas influências permaneçam eternamente, assim como uma viagem de benflogin, não acaba nunca, uma hora apenas se esquece que se continua viajando.
Fica aqui o pedido de que o Sato faça um dia uma caricatura da balada, vou ver o que posso fazer a respeito de ilustrações da mesma, além de procurar fotos na Internet, quem souber de endereços, por favor...
Termino com a lista de verbetes modificados ou criados em virtude da Solaris:
Mandala - ampliado
Gorrinho Excel Benflogin
Contos Natalinos da Rave - parte 2 - Crônicas de Papai Noel ou As Aventuras do Gorrinho
O que um gorrinho vermelho e branco pode fazer? Talvez você nunca tenha se perguntado isso, talvez nunca fosse se perguntar algo tão idiota caso não estivesse lendo isso, mas você está, ou estava, depois dessa... Mas a resposta para a pergunta é: Nada. Quem fez foram as pessoas, o gorrinho tava lá, na boa. Tá, vamos ao que interessa. Graças ao gorrinho de papai noel, algumas pessoas me consideraram o ser mais louco da balada (nada relacionado ao meu estado mental...?). Pelo menos o Chile foi enfático ao afirmar isso, mas ele se referia mais às drogas também, mas alguém veio me dizer alguma hora que o gorrinho era incrível. O fato é que o gorro transmitia uma energia que algumas pessoas captavam, ou, pensando de outra maneira, para algumas pessoas o gorrinho transmitia alguma coisa, são maneiras de pensar. Para essas pessoas o gorrinho podia simbolizar um objeto de diversão, "esse gorro é incrível, mandou muito bem", ou um objeto de ódio, no caso das pessoas que precisavam escolher alguém pra perseguir no final da balada. Desde o começo fui comprimentado por pessoas animadas e chapadas, observado com sorrisos e risadas. Me usaram de referência, "ele tava do lado do papai noel, não não, o papai noel tá ali...", tiraram foto, "nossa, essa foto eu vou colocar na parede da sala", aliás, se alguém achar a foto, me avise. "Olha, ele fica melhor sem o gorro", "Ah, agora ele tá sem o gorro, mas ele vai colocar de novo..." "Ele tá olhando pra cá..." (essa eu ouvi mais de uma vez), "ho ho ho", "sei lá, pergunta do que ele tá pirando...", o Chile, que tava na hora dessa última me disse que as meninas ainda cochicharam coisas do tipo, "eu fui falar com ele, ai eu comprimentei o outro que me falou, oi, fala com o meu amigo (muito boa essa, Chile)", "papai noel bonito...", humm, obrigado, "olha o papai noel lá..." seguida de um negativo com a cabeça e uma imitação do modo pitoresco como eu dançava, indicando algo do tipo, ele tá muito chapado, nem deve dar pra falar com ele. Teve uma que me olhou desesperada, por causa do calor e do sol, "Meu, tira esse gorrinho!". E teve a hora em que eu deitei na grama e coloquei o gorro na cara pra tampar o sol, "nossa, parece um animal!". Bom, algumas pessoas se interessaram em observar o furo da minha bermuda, estrategicamente colocado bem na costura central dela, na parte mais baixa, só dava pra ver quando eu tava sentado, "bonita a vitrine...", "nossa, é mesmo, tem um buraco...", que coisa, olhou quem quis também. Mas teve também o negócio do ódio, não sei porque algumas pessoas não foram muito com a cara do gorrinho, ou precisavam de um motivo para perseguir alguém e, como me disseram, "o gorrinho era um ícone". Acho que o conjunto, totalmente chapado, assumido, desencanado e com o gorrinho me marcavam como alvo preferencial de projeções de ódio. O mesmo grupo que ficou horas do meu lado (horas na percepção alterada, mas beleza) rindo de mim e me imitando escrachadamente, coisas que não me importavam, foi que resolveu esbarrar em mim, duas vezes seguidas o mesmo sujeito, em sequencia, e ficar rodeando o cogumelo inflável onde eu estava sentado, do lado de um segurança da balada. Cheguei a pensar que era tudo nóia persecutória da minha cabeça, confesso que muito do que aconteceu foi nóia total, imaginação e alucinação, mas tudo foi desencadeado por acontecimentos reais. Por que, diacho, iriam fechar a pontezinha que dava acesso à balada para que só uma pessoa passasse por vez e esbarrar justamente em mim e logo depois sair da ponte? Por que a mesma pessoa esbarrar em mim logo depois, ainda do mesmo lado e do mesmo jeito, com o cotovelo? Por que alguém daria três ou mais voltas ao redor de um cogumelo gigante e inflável num canto da balada, onde eu estava sentado? O Loco não estava acreditando muito em mim, já que ele também estava sentindo diversas nóias e sabíamos todos que o nosso coquetel de substâncias produzia nóias, como o fato de vermos as pessoas conhecidas na cara de todo mundo, mas depois ele perguntou se era um grupo que uma hora ficou olhando para a gente com um cara de punho cerrado sendo segurado por um amigo, eu não tinha visto isso, não sei até onde isso foi verdade, mas pela descrição do lugar e das pessoas, era o mesmo grupo, e ele achando que estavam olhando para ele. Por que um sujeito indo embora com a namorada precisa passar com seu cotovelo a um centímetro da cara do Chile? Bom, pessoas idiotas são idiotas, é só isso...
6.1.03 ::: Contos Natalinos da Rave - parte 1 - Noções Cronológicas
Vai ser extremamente difícil contar tudo que eu gostaria sobre a rave, algumas coisas são inexprimíveis em palavras, outras coisas foram totalmente esquecidas. Mas foi um acontecimento incrível, absurdamente incrível. A balada não foi um primor de rave e teve seus altos e baixos, só pra explicar, fomos na Solaris, na Barra do Una. Mais uma palavra-chave interessante para alguém que fizer pesquisas no google assiciadas a esta rave é papai noel. Sim, como prometido fui com meu gorrinho de papai noel e devo dizer que isso foi um acontecimento. São milhares de histórias, coisas como o dia que não acaba, as nóias mais nóias e as experiências lisérgicas ocorridas.
Comecemos do começo: estavam presentes o Loco, o Sato, o Chile, velho amigo do Loco, e eu, a mandala benflogínica de natal (calma, isso vai aparecer depois na história). Partimos para a Riviera, nossa primeira parada e lá chegando paramos em uma farmácia onde compramos mais benflogin, já que só tinha uma caixa e este era nosso plano B pro caso de não arranjarmos um E (esse era o plano E, piadinha idiota, eu sei). Jantar com a família do Loco e garantia, inexperada e muito bem vinda, de uma casa vazia com piscina para o retorno da balada. Chegamos na rave lá pelas 4 horas da manhã. Haviam vários cogumelos infláveis gigantes pela balada, mas isso é o de menos. Decidimos um ponto de encontro que não usamos e o ponto de encontro móvel era eu, facilmente encontrável com o gorro de papai noel, que ainda por cima brilha na luz negra. Aqui acabam os relatos sóbrios do fim de semana, um pouco antes das 5 tomamos quinze benflogins cada um, só teríamos resposta do E mais tarde e ninguém queria esperar, Chile e Loco eram novatos na experiência. Incrível que não precisa encher a cara pra potencializar o remédio se você tiver maconha, muito melhor, maconha combina com tudo, afinal... Já tinha ouvido muito sobre meu gorro, ainda iria ouvir muito mais. O benflogin bateu no máximo, impossível de se guardar as idéias por muito tempo, esquecia-se tudo justamente na hora de falar, cada um viajava pra si, e isso ainda ia piorar.
Depois de ter amanhecido eis que me surge o Loco, depois de uma longa busca, com as pílulas, nossos Mitsubishis. Um pouco antes do Infected Mushroom, tomamos, Loco, Sato e eu um E cada um, e foi decidido que a balada tinha fodido de vez pela segunda vez. Sensações estranhas, não se sentia o E exatamente, os toques eram agradáveis, mas o benflogin imperava, as idéias vagavam e fugiam, tudo que era palavra desaparecia, as alucinações eram constantes, de longe via-se o que se queria ver, os rostos das pessoas se transformavam no de alguém conhecido sempre, conhecidos mesmo não vi nenhum. Muita maconha, muita viagem, olhos fechados provocavam visões coloridas intensas, no meu caso sempre terminavam em mandalas ou tetraedros girando, no centro da mandala. Via os eixos dos meus olhos, via todas as pessoas de óculos se quisesse, via o que quisesse, não via nada, não sabia onde eu estava, dançava do jeito que eu queria e conseguia, andava em zigue-zague, tropeçava nas pedras de vez em quando, não caí nenhuma vez, sentávamos no chão e fechávamos a mandala frequentemente, isolando o resto do mundo, impossibilitados de muitas relações com o resto do mundo, maravilhados com as beldades típicas de raves, com os malabares, matando pernilongo e morrendo de calor. O fim nóia da rave foi o ponto mais baixo, mas isso será contado junto com as histórias que envolvem papai noel. Falei para algumas pessoas que o natal tinha sido mudado para o dia 03/03, só depois eu lembrei que já era dia 04 quando chegamos lá, beleza, natal é sempre na passagem. Meio-dia chegamos no apartamento do Loco na Riviera e logo partimos para a casa que nos esperava, fugindo de maiores inquéritos sobre a balada, quem é que tinha condições de falar alguma coisa? Camas arrumadas, enquanto o pessoal tomava banho ou já tinha ido dormir, a piscina proporcionou um prazer inexplicável, o banho também, deitar em uma cama então... Duas horas depois e acordo, todos ao redor da tivuca assistndo Batman do Charada, filminho, mas beleza, diversão garantida, ninguém conseguia prestar atenção por muito tempo, Loco e Sato não tinham conseguido dormir, o benflogin estava longe de terminar e a sequência de cenas assistidas criava uma versão bizarra do filme. O benflogin dá uma sensação igual a do filme Amnésia, lembranças vão sumindo, algo até volta em flashes, algumas coisas não voltam mais, o problema é que sabe-se que se esqueceu algo específico, e isso ajuda a aumentar a nóia que pode acontecer em situações desagradáveis, mas calma, vou explicar melhor depois. Voltamos pra casa do Loco para comer para depois comprar uns salgadinhos e refrigerantes pra voltar pra casa vazia, um retiro espiritual perfeito. O resto da noite se resumiu a diversas idas até a porta para fumar, Loco, Sato e eu, do lado de fora no escuro. Descobrimos que na volta para a sala iluminada, influenciados pela maconha e pelo contraste, as visões estilo Matriz do remédio voltavam absurdamente, e o Chile se divertia assistindo três malucos mexendo os braços alucinados. Ninguém tinha vontade de dormir. Havia diversas revistas com as mais divertidas notícias, era fácil rir de tudo que fosse engodo, das propagandas do serviço militar, "agora não é hora de jogar futebol, é hora de se alistar." De manhã, lá pelas 6, Sato e Chile ficam com sono, eu e o Loco continuamos na sala observando um quadro que reunia diversas construções do Gaudi, como se fosse a cidade psicodélica, com pedaços dos edifícios e da catedral. De longe, porém, passamos hora vendo as mais viajantes coisas possíveis e inimagináveis. Fui dormir lá pelas 8, me acordam 5 da tarde, um pedaço de pizza e três fitas de vídeo alugadas. Maconha, o benflogin agia nos bastidores, mas ainda dava sinais de vida. Primeiro Teoria da Conspiração, viagem total, seguido de pão de queijo e mais maconha, depois quatro episódios dos Simpsons, outra pizza congelada e mais maconha, o cemitério das pontas revivido, seguido de Os Picaretas. Partimos de volta.
Como vai demorar muito pra contar o resto, deixo pra depois, vou dormir, mas digo já que seguem-se os melhores relatos, entre eles as histórias de Papai Noel, o verbete do gorro, do Excel e da nova mandala no Docionário e por ai vai. Espero participações dos outros presentes com suas narrativas...
3.1.03 :::
A chuva não nos levará a nenhum lugar, mas é a água, a mesma que rega pés de maconha e de sálvia, faz brotarem os esporos dos cogumelos na bosta das vacas, irriga plantações e pastos que alimentam cientistas clandestinos que produzem os químicos sintéticos, poético não? Mas o fato é que vamos para a rave perto do mar, que também é água, os peixes, etc etc, voltaremos um dia, não é certo quando, mas em breve. Voltaremos, até lá.
Como não faço idéia de como descrever o que aconteceu comigo nas últimas semanas, vou comprar a idéia de terapia musical do sr. Incensenseiciador. Vamos lá. Tudo começa assim:
"I gotta take pills to kill ma pain / to kill ma plesure I blow ma brain / I get só high I fall down again / What´s happenin´ man? / You don´t know!
I gotta drink booze to help me swing / Bella donna to help me sing / I gotta smoke grass to help me see / Who are you babe? / You don´t know!"
Gong (Daevid Allen)
"Que gamação danada, Não sei se fico ou se meto o pé na estrada!"
Jorge Ben
"Com ela eu sou um anjo / Com ela eu sou uma criança / Sou a paz a alegria a esperança!" (algo assim)
Jorge Ben
"I realy love you and I mean you / The star above you, crystal blue / well, oh baby, my hairs on end about you..."
Syd Barrett
"How was it that we first met? / I forget, all I know is you looked happy / We walked around and talked a while, / in your smile I found that I was happy.
But how long will all this last? /Time goes fast, it doesn´t matter, / with you I´m happy"
Peter Hammill
"silently I rest in the tall green grass / and look steadily upwards / Birds sing ceaselessly around me / and the blue of the sky surrounds me strangely
Out here, life is at it´s essence, / and watches the world with innocent eyes / far from grime far fropm rushing people / it seems that I have found a tiny peace
The lovely white clouds glide / across the sky and into my dreams / I feel as though I had died some time ago / Now I Wander with the clouds through eternal space."
Peter Hammill
"Sittin´ in my treetop world, doing nothing at all / just floating in the sky, I´m free / Emvy me all you want, it don´t mean a thing / But join me anytime, if you please
I´m lazy I know, but I do anything that I want to do / Fly to my arms and feel your fantasies coming through"
Caravan (Pye Hastings)
"Give just a little bit more / take a little bit less / from each other tonight / admit what you´re feeling / and see what is in front of you / it´s never out of your sight; / You know it´s true / We all know that it´s true."
Moody Blues
"Love is how you give it / Love is how you live it / Love is how you make it / Love is how you take it
First you make it with your body / everything you give to share / when you come together then your / one with lover´s everywhere
Give a little wink / have a little think / have another drink / you know"
Gong (Daevid Allen)
"Que tal um chá pra gente se achar?"
Mutantes
"Dai-me luz, Dai-me força...."
Trecho de um hino do Santo Daime
"You stare out in yellow eyes larger than my mind / in viscous pools of joy, relaxing, we glide...
It´s all too beautiful / for my mind to bear / and, as we shimmer into sleep, something´s unshared.
But seeing the flower that was there yesterday, / a tear forms just behind the soft peace of your shades... / The world is too lonely / for a message to slip / but between the dying rails of peace / you trip.
The petals that were blooming are just paper in your hand / your eyes, wich were clear in the night, are opaque as you stand / it was too beautiful / for it to last / these visions shimmer and fade out of the glass"
Van Der Graaf Generator (Peter Hammill)
"I should have known it wouldn´t last / But things were happening so fast / I´ll never know just how it stayed so long / I should´ve known it, should´ve seen at the time / but when you´re happy, you don´t know that you´re are blind"
Soft Machine (Hugh Hopper)
"Just what is happening to me? / I lie awake with the sound of the sea calling to me"
Moody Blues
"É como se a gente não soubesse / pra que lado foi a vida / pra que tanta solidão / e não é a dor que me entristece / é não ter uma saída / nem medida na paixão
Foi, o amor se foi perdido / Foi tão distraído / que nem me avisou / Foi, o amor se foi calado / tão desesperado / que me machucou
É como se a gente pressentisse / tudo o que o amor não disse / diz agora essa aflição / e ficou o cheiro pelo ar / ficou o medo de ficar / vazio demais meu coração"
Lenine
"No final da tarde, acendi a lareira, Aldous [Huxley - Admirável Mundo Novo, As Portas da Percepção...] empilhou os livros que havia trazido em cima da mesa do café e deitou no sofá. Nós dois tomamos psilocibina [princípio ativo dos cogumelos]. Nas três horas seguintes, ouvimos música - Bach, Mozart, tambores africanos, cantos indianos e Ravi Shankar. Às vezes, acenávamos um para o outro indicando que estava tudo bem ou emitíamos murmúrios de êxtase."
"- Timothy, você se esqueceu dos primeiros capítulos do Gênesis? Jeová diz para Adão e Eva: "Eu construí esse refúgio maravilhoso para vocês a leste do Éden. Vocês podem fazer tudo o que quiserem, exceto comer o fruto da Árvore do Conhecimento".
- As primeiras substâncias controladas.
- Exatamente. A bíblia elaborou a primeira legislação de proibições de alimentos e drogas.
- Portanto, a queda e o pecado original foram causados pela ingestão de drogas ilegais.
A essa altura, Aldous dava risadinhas de prazer, satisfeitíssimo consigo próprio, e eu rolava no chão de tanto rir."
"Para mim, os flashbacks eram um sinal positivo de que, uma vez acionados os novos circuitos do cérebro, era possível aprender como reativar a experiência sem as drogas."
"Visto que as drogas psicodélicas expõem-nos a níveis diferentes de percepção e experiência, usá-las significa entrar em uma aventura filosófica, obrigando-nos a confrontar a natureza da realidade com os nossos frágeis sistemas subjetivos de crenças. A diferença é a causa do riso, do terror. Nós descobrimos abruptamente que fomos programados todos esses anos, que tudo que aceitamos como sendo realidade é apenas uma construção social."
1.1.03 :::
Mas como funcionaria um Acampamento Psicodélico (acho que é psicodélico e não lisérgico, mas tudo bem) de Verão?
Bom, eu não li a respeito, mas o Sato me explicou mais ou menos o que o Timothy Leary idealizou. Trata-se basicamente de um local bastante agradável, principalmente para o uso de LSD onde as pessoas dividiriam-se em três grupos com os seguintes propósitos diários: um grupo tomaria LSD, outro grupo, sóbrio, acompanharia o primeiro grupo em sua experiência lisérgico-psicodélica e o grupo restante refletiria sobre sua experiência do dia anterior, grupo este que teria usado o LSD no dia anterior. No dia seguinte, o grupo que tomou o LSD passaria então a refletir sobre sua experiência do dia anterior, o grupo que o guiou tomaria LSD e o grupo que estava refletindo guiaria o novo grupo dos usuários. Em resumo, tomaria-se LSD de 3 em 3 dias, por um determinado tempo, com um propósito de reflexão e expansão da consciência, auto-consciência e por ai vai. Isso é o que eu sei e/ou entendi do negócio, quando souber mais eu explico melhor, ou o próprio Sato faz isso algum dia.
Ahhhhhhh (suspiro de alívio). Hoje gastei 39 reais para jantar, mas não é isso que importa. Fui comer um filé de verdade, o tradicional filé à Oswaldo Aranha, um dos pratos frequentes nos jantares costumeiros numa cantina aqui do lado de casa. Filé, carne de verdade, arroz, farofa, aspargos e batatas portuguesas, na minha infância ainda se sabia o que eram batatas portuguesas, que hoje todos chamam de chips, talvez eu seja da última geração das batatas portuguesas. Tudo isso acompanhado da mais tradicional ainda Original, que, mais do que uma cerveja, é praticamente um elixir vital, sendo que este restaurante é o melhor lugar para se jantar tomando uma Original, combinação perfeita, está no mesmo nível que tomar uma Original no Ó do Borogodó de quarta-feira. O melhor de tudo, o mais incrível disso tudo, fora a maravilha que foi esse jantar, é o fato que, mesmo tendo comido dois filés, o que foi um pouco de gula, ainda sobraram dois, com acompanhamento suficiente para garantir almoço e jantar de verdade amanhã. Comida de verdade, era o que eu estava precisando.
Agora, tomar cerveja nesse calor e com 37 de febre é uma coisa incrível, foi uma das melhores que eu já tomei na vida. Falando nisso, dia 8, próxima quarta é a primeira do ano no Ó. Esse ano estou desconfiado que não poderei frequentar fielmente às quartas por causa dos horários, terei que aproveitar as férias.
Ah, que coisa, Timothy Leary, patrono da psicodelia lisérgica, grande experimentador de LSD, inclusive idealizador do acampamento lisérgico de verão, que um dia eu prometo realizar, antes de morrer, de causas naturais, teve como suas últimas palavras "por que não?", repetida em diversas entonações diferentes, como pergunta, como afirmação, "porque não", como exclamação, como indagação, etc, então morreu...
Era uma vez um termômetro cansado de marcar a temperatura do sovaco das pessoas que se matou pulando para dentro de um abajour com uma lâmpada muito quente que o estourou. Trágica lição, reencarnou como um termômetro veterinário de aplicação anal em cavalos.
Você sabia que no Nordeste há uma expressão popular "sofrer que só sovaco de aleijado" que significa a mesma coisa que "sofrer que só pé de cego", também utilizada no Nordeste, e que ambas significam sofrer muitíssimo?
Era uma vez uma folha de Post-It que se revoltou contra a dominação que lhe era implicada em sua existência, colada junto a outras folhas até que fosse separada para servir de recado. Acontece que ela nada podia fazer e assim foi até que o recado ficou ultrapassado e ela foi amassada e jogada no lixo.
Como previsto, eu continuo com febre, fui escolher um filme pra assistir e escolhi justamente o maldito filme que não está no armário, provavelmente meu irmão pegou e colocou em outro lugar, já que é justamente um filme que ele gosta tanto, talvez tenha emprestado, eu vi a caixa desse filme em algum lugar algum dia, e justo hoje que resolvi assistir ele some, 37 graus justos, queria assistir Beleza Roubada, inclusive foi desse filme que, mesmo sem ter assistido, fiquei conhecendo Portishead, melhor grupo depressivo que existe. Não estava lá, peguei Twin Peaks, nunca tinha visto, mal me lembrava da série, era pequeno quando passou. Pô, o filme tem um monte de coisa que provavelmente só assistindo a série pra vislumbrar algum entendimento. Procurei Beleza Roubada em todos os cantos, mas é impossível saber onde procurar, existem lugares obscuros por demais nessa casa, cantos do quarto do meu irmão inatingíveis. Talvez minha memória esteja me enganando quanto a ter visto a fita no quarto. Andar pela casa procurando pela fita me deixou tonto, inclusive depois de assistir ao outro filme, maldito filme, quase sem sentido, achei muito louco, um dia ainda assisto de novo. Comi pipoca, faz tempo que não como nada saudável, preciso melhorar para essa rave dia 3, vou ficar quietinho por aqui procurando Beleza Roubada e assistindo outros filmes, estou morrendo de sono. Que saco, que saco, que saco, que saco. Que inferno tudo isso, que música bizarra tocando, quem é Bobby Conn? Por que ele grita tanto pra cantar? Porque essa música parece tanto com milhares de outras que eu já ouvi? Estou de saco cheio, doente e sozinho nessa maldita casa. Não tem comida decente, não tenho saco pra ir comprar algo decente também. Não vou pedir nada pelo telefone até morrer de fome. Eu continuo ouvindo essa maldita música, escrevendo esse monte de merda pra essa porcaria de blog, um blog, um maldito blog, o que é um blog? Puta que pariu, essa maldita serra não para de fazer barulho no térreo, hoje é dia primeiro, quem está fazendo isso às 7 e meia da noite? Tchau Bobby Conn, música bosta. Jim O'Rourke, outro que está prestes a ser apagado, por que eu fui baixar "soft rock heroes"? Captain Beefheart é que é legal... Que inferno, que inferno, que inferno...
Chovendo, varia de tempestade torrencial para chuvisco em minutos, e assim foi desde que voltei a perceber o mundo hoje de manhã. Tá foram cinco minutos até eu dormir de novo, mas não parou até agora. Comecei a imaginar que a chuva poderia lavar toda a merda, mas minha imaginação foi científica demais, imaginei tudo escorrendo para os esgotos, rios, mares, evaporando e então começou uma chuva de merda, deixa pra lá...
Bom, de tudo na balada, desde o ácido, toda a cerveja e maconha, a febre, pessoas estranhas, inclusive uma que vira pra mim e diz sobre a menina dançando para a parede que "aquilo só pode ser drogas", quando eu imaginei que iria escutar uma frase desse tipo em uma balada de ano novo, encontros inusitados com pessoas que não via faz tempo, metade das pessoas da balada impressionadas com duas se beijando, uma delas a que dançava para a parede, impressionadas de novo quando a outra beijou outra, pra mim era inveja mesmo, duas pra ela e nenhuma pra mim, mas beleza, impressionaram-se de novo quando ela voltou pra outra, impressionaram-se ainda mais quando a outra tirou a roupa e dançou de cinta liga, impressionaram-se demais, mas de tudo na balada, pra mim o mais impressionante era que tinha uma pinça e uma bolinha-de-gude no ralo da pia do banheiro, isso eu não posso entender...
Pra começar bem o ano vou fazer uma única resolução que cumprirei de imediato. Não dedicarei de novo um post para a novíssima-estrela-pop-punk-canadense-com-cara-de-ratinho-de-laboratório Avril Lavigne.